segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tempo Certo

Honestamente eu não costumo gostar das coisas que o Paulo Coelho escreve. Como todo mundo ele tem uma visão muito particular sobre tudo, mas a minha visão sobre a dele é que ele está sempre tentando pregar o ponto de vista dele como uma verdade absoluta, e isso me irrita bastante, rs.
Mas recebi esse texto agora há pouco de uma amiga (Carolina Esteves) e achei bem pertinente para o momento, além de ter lá a sua coerência...

Tempo Certo
De uma coisa podemos ter certeza:
De nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo, aí acontecem os atropelos do destino,
aquela situação que você mesmo provoca por pura ansiedade de não aguardar o Tempo Certo.

Mas alguém poderia dizer:
Mas qual é esse tempo certo?

Bom, basta observar os sinais...
Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida,
pequenas manifestações do cotidiano, enviarão sinais indicando o caminho certo.

Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer;
mas com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você
no lugar certo, na hora certa, no momento certo,
diante da situação ou da pessoa certa.
Basta você acreditar que nada acontece por acaso.

E talvez seja por isso que você esteja agora lendo essas linhas...
Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais já estão por perto, e você nem os notou ainda.

Lembre-se que:
O universo sempre conspira a seu favor,
quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.

(Paulo Coelho)

domingo, 11 de setembro de 2011

Lama nas ruas

Deixa
Desaguar tempestade
Inundar a cidade
Porque arde um sol dentro de nós

Queixas
Sabes bem que não temos
E seremos serenos
Sentiremos prazer no tom da nossa voz


Veja
O olhar de quem ama
Não reflete um drama, não
É a expressão mais sincera, sim

Vim pra provar que o amor quando é puro
Desperta e alerta o mortal
Aí é que o bem vence o mal
Deixa a chuva cair, que o bom tempo há de vir...

Quando o amor decidir mudar o visual
Trazendo a paz no sol
Que importa se o tempo lá fora vai mal
Que importa?

Se há
Tanta lama nas ruas
E o céu
É deserto e sem brilho de luar
Se o clarão da luz
Do teu olhar vem me guiar
Conduz meus passos
Por onde quer que eu vá...


( Zeca Pagodinho e Almir Guineto)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A melhor coisa que não me aconteceu

Antes do ator Daniel Craig ser confirmado como o primeiro James Bond loiro do cinema, em 2006, havia uma onda de boatos que prenunciava Clive Owen no papel. Lendo uma entrevista com Owen, ele disse que essa foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu, pois quanto mais ele negava a informação, mais se falava sobre ele. É uma maneira de se divertir com o destino, mas a frase que ele usou é tão boa que deixemos o bonitão pra lá e vamos adiante: qual foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu?

Comigo, acho que foi aos 14 anos de idade. Eu iria para a Disney com a família e alguns primos. Estava ansiosa pela viagem, quase não dormia à noite. Seria minha primeira vez no Exterior, um acontecimento. No entanto, uns 10 dias antes de embarcar, o governo estabeleceu um tal imposto compulsório que tornou a viagem proibitiva. Fim de sonho: não haveria grana para bancar a aventura. Os passaportes novinhos em folha foram para o fundo da gaveta e eu passei mais algumas noites sem dormir, só que dessa vez de tristeza.

Era julho e minhas férias escolares se resumiriam a ficar em casa. Porém, haveria uma excursão do colégio para a Bahia, e muitas de minhas colegas de aula iriam. Pensei: nada mal como prêmio de consolação, trocar o Mickey pelo Pelourinho. O preço era uma merreca se comparada a uma viagem aos States. De ônibus até Salvador, imperdível! Virei, mexi, implorei, consegui a última vaga e fui. Resultado: voltei com meia-dúzia de amizades tão fortalecidas que, até hoje, somos como irmãs. Tenho certeza de que se eu não houvesse viajado com elas, eu jamais teria entrado para o grupo a que pertenço com orgulho até hoje. A Disney foi a melhor coisa que nunca me aconteceu.

Fico imaginando as histórias que podem não ter acontecido com você. Namorar uma pessoa por oito anos e romper dias antes de subir ao altar: não ter casado pode ter sido a melhor coisa que nunca lhe aconteceu, vá saber o que o destino lhe ofereceu em troca. Ou você não ter passado num concurso. Nunca ter recebido a ligação que tanto esperava. Nunca ter recuperado um objeto perdido que o deixava preso a lembranças paralisantes. Ter ficado com fama de ter sido o grande amor de uma modelo espetacular: na verdade, ela nunca olhou pra você, mas um mal-entendido fez com que muitos acreditassem na lenda e até hoje você recebe os dividendos: foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu.

É uma visão generosa da vida: imaginar que os não-acontecimentos fizeram diferença, que você está onde está não só por causa das escolhas que fez, mas também pelas especulações que nunca se confirmaram. Ao manter esse caráter desestressado, eliminamos a palavra derrota do nosso vocabulário e a alma fica mais aliviada, o que não é pouca coisa nesse mundo em que tanta gente parece pesar toneladas devido ao mau-humor e ao pessimismo. Cá entre nós, viajar de Porto Alegre até Salvador de ônibus para passar três dias e voltar, e achar isso uma beleza, é a prova de que ter o espírito aberto funciona.
(Martha Medeiros).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sumir com os sinais do passado na vida do outro é uma tarefa impossível

Morava em uma das gavetas do meu guarda-roupa, até a semana passada, uma meia de lã verde que pertenceu ao avô de uma ex- namorada. A meia, de tão velha, estava transparente nos calcanhares. O avô, que eu não conheci, morreu há mais de uma década. E a ex-namorada, faz tempo, é feliz com outro homem.

Mesmo assim, a meia seguia comigo.

De vez em quando, nas noites de inverno, ela saia da gaveta e me ajudava a dormir quentinho – e esse era a desculpa oficial para a sua permanência duradoura na minha casa e na minha vida.

Mas seria apenas isso? Não.

Como tantas outras coisas espalhadas por gavetas, paredes, armários, cabides, penteadeiras e até na porta da geladeira da minha casa, a meia de lã verde era um pedaço de memória. Estava lá para materializar um pedaço gostoso do passado e tentar impedir que ele sumisse.

Sei que há pessoas que não se interessam muito pelo que passou. Gente que vira as costas rapidamente para ontem e com rapidez ainda maior começa de novo, amanhã. Gente desapegada, que sai da vida dos outros deixando tudo para trás: móveis, afetos, objetos, fotografias, lembranças, meias...

Eu não.

A minha casa é o museu da minha vida. Quem passou por uma vai deixando sinais no outro. Fotos, cartas, entradas de cinema, meias...

Outro dia, procurando um documento, dei de cara com uma caixa azul cheia de cartas e bilhetes. Havia muita coisa antiga ali, de vários tamanhos e densidades. Fiquei bestificado e comovido. Mulheres apaixonadas ou desiludidas escrevem lindamente. Quando o amor acabou, quando aquela dor antiga já não faz mais sentido, o sentimento registrado em letra trêmula ou determinada ainda vibra – e nos transmite a sensação, deliciosa, de haver vivido. E ter estado em boa companhia.

Mas nem todo mundo entende assim.

Às vezes, uma mulher entra na vida de um homem determinada a apagar o passado. Não basta a ela um lugar no presente. Ela precisa limpar, com a energia e detergente, a memória do que passou. Sai farejando pelos cantos os restos deixados pela outra. De quem é essa camiseta de mulher? Por que você guarda esse guarda-chuva colorido? O que tem de especial nesses cristais?

Sumir com os sinais do passado na vida do outro, porém, é claramente uma tarefa impossível.

Primeiro, por que você não sabe contra o quê está brigando. A inimiga pode estar em toda parte. A cueca que seu namorado usa, por exemplo, por ter sido um presente da anterior. Ou o lençol no qual vocês dormem felizes. A camiseta de corrida que ele adora? Pois é... Aquele vaso bonito da sala, sabe qual? Foi ela quem escolheu numa viagem. A gravata bonita que ele usou no casamento? É do irmão dela. Ele nunca devolveu. Aliás, aquela camiseta que ela empresta quando você dorme na casa dela: grande, né?

Outra razão pela qual o passado é inexpugnável: aquilo que está no guarda-roupa ou na cristaleira é apenas a parte visível da memória e dos afetos. O que vai por dentro, muito mais importante, é invisível ao olhar. Não dá para brigar com as lembranças que o seu homem carrega dentro dele. Se ele escuta uma música no rádio do carro e sorri, o que você diz? Se vocês viajam a uma cidade em que ele já esteve, o que você sente? Se ele para, absorto, relendo a dedicatória de um livro, como você faz?


Ao contrário do presente, o passado não pode ser destruído ou alterado. Se tomar formas inocentes no presente – um quadro na parede, um comentário passageiro – isso é positivo. Demonstra uma saudável conexão com a própria biografia. Há algo de errado com as pessoas que encobrem seu passado como quem pinta a parede uma vez por ano. Por que é tão difícil confrontá-lo ou tão necessário evitá-lo? Melhor que ele exista e esteja em paz.


Tenho um amigo que, antes de se casar, deixou a futura mulher queimar o seu colchão de solteiro. Era um exorcismo bem-humorado e carinhoso, mas o diabo, mesmo assim, voltou. Depois de um bom tempo, mas voltou. Uma legião deles, na verdade.

Se as leitoras e leitores me permitissem um palpite, eu deixaria em paz as lembranças da outra. Ou do outro.

O que há demais numa camiseta cor de rosa que vive quietinha no fundo de uma gaveta? Nada. Aquele capacete tamanho G que dorme há anos embaixo da cama – qual o problema, rapaz? O motoqueiro não está mais lá. A galeria de rostos na moldura da Tok-Stok não sorri para você, mas isso é só um detalhe. Seu namorado está ótimo nas fotos. Há restos de decoração da outra pela casa toda? Nenhum problema: ela tinha um gosto divertido e, de qualquer maneira, o fulano gosta da decoração e da lembrança, não necessariamente da fulana.

Se isso ainda não bastar para você encarar o apego ao passado do seu homem com alguma tolerância, sugiro um argumento que eu uso comigo e que tem me ajudado a evitar o ciúme do pretérito: o efeito Orloff.

“Eu sou esse cara amanhã”.

Um dia, se esta relação acabar, eu não quero ser demonizado, exorcizado e depois esquecido como um sonho ruim. Não gostaria que as minhas fotos fossem apagadas do hard-disk (ok, tirar do Facebook eu entendo...). Não queria que as roupas que eu dei fossem jogadas fora, que as páginas de dedicatória dos livros fossem arrancadas, que a luminária que me deu tanto trabalho instalar na casa dela fosse trocada por outra, mais feia, apenas para me tirar do quarto.

Mas eu sou apegado – e, à minha própria maneira, realista. Prefiro ver uma meia na gaveta a não ver absolutamente nada. As meias eu sei que um dia serão jogadas fora. O nada eu sei que não existe. 
(Ivan Martins)

O amor bom é facinho

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?

Eu suspeito que não.

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?

Minha experiência sugere o contrário.

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
(Ivan Martins).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O novo

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.  Viva outros romances.  Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
(Clarice Lispector).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Olhos vermelhos

Os velhos olhos vermelhos voltaram
Dessa vez
Com o mundo nas costas
E a cidade nos pés
Pra que sofrer se nada é pra sempre?
Pra que correr, se nunca me vejo de frente

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez

Os velhos olhos vermelhos enganam
Sem querer
Parecem claros, frios, distantes
Não têm nada a perder
Por que se preocupar por tão pouco?
Por que chorar, se amanhã tudo muda de novo?

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez...

(Dinho Ouro Preto / Alvin L)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para as mulheres

Alimentação correta: Ninguém vive de vento.
Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias... Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.

Flores: Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza: Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação. Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

 Não tolha a sua vaidade: É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.

Cérebro feminino não é um mito: Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as
mulheres.

Não faça sombra sobre ela: Se você quiser ser um grande homem, tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um
pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.

Só tem mulher quem pode!
(Luiz Fernando Veríssimo)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Felicidade realista

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a.

Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
(Mário Quintana)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Resoluções para 2011...

Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.


Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia.
Aproveitar os amigos e abraçá-los mais.
Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais.
Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto.
Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais.
Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais.
Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem.
Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais...
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais.
Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás.
Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa.
Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa.
Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão.
Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais.
Quero menos “mas”.
Quero não sentir tanta saudade............. Quero mais e tudo o mais.

“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".

(Fernando Pessoa)